sábado, 20 de setembro de 2008

A vida é a arte do encontro

É estranho como a vida pode ser tão vasta e ao mesmo tempo cheia de pequenas coincidências. Várias vezes me peguei pensando nas mesmas e sempre acabo me perguntando se são mesmo apenas coincidências...Ontem, em uma reunião budista, me disseram que nós somos capazes de mudar nosso karma, capazes de mudar nosso destino, mesmo que ele já esteja traçado. Mas ninguém soube me responder quem é o responsável, o tal criador de karmas de todo o mundo. Pois se eu descubro quem é, a primeira coisa que eu perguntaria seria de onde ele tira tanta criatividade, como ele monta essa misteriosa teia de relacionamentos.Como eu ia dizendo, para que você mude seu destino, você precisa receber um sinal, perceber esse sinal, e se encontrar para que, enfim, sua vida tome um novo rumo. Esse sinal só pode vir daquele mesmo, se você disse, "Senhor dos Karmas", acertou! Isso tudo, se houver realmente esse misterioso e glorioso Ser.Desprezando essas quinquilharias resultantes de meus pensamentos infundáveis, entrego-lhes outra teoria. Teoria, essa, que Buda, J. C., Freud e Murphy não são capazes de compreender, muito menos pensar a respeito: a predestinação casual. É claro que Calvino pensara na predestinação alguma vez na história, mas nunca pensara da forma como eu o faço. Tentarei ser clara ao passar essa preciosa teoria.Não nascemos predestinados a nada. Não somos predestinados a nada. Ninguém nos predestina a nada a não ser nós mesmos. A partir do momento em que a vida toma seu rumo, escolhas são tomadas e vinculos são formados, tudo aquilo que está prestes a acontecer, até mesmo pequenos e coincidentes detalhes são predestinados. Predestinados por nós mesmos. Somos nós os responsáveis pelas tão desprezíveis (ou não) coincidências milagrosas (ou não). Todo ato, toda ação gera consequências e quando estas "coincidem" com ações alheias ou, até mesmo, com nossas próprias ações anteriores, não é o nosso karma agindo, nem coisa do destino.Somos predestinados a todo momento, mas não é preciso que um raio caia em nossas cabeças para que possamos acordar para a vida. Não temos que acordar para vida, estamos nela há tempos. Devemos entender que há ações com respostas a curto prazo, assim como há respostas a longo prazo, e são essas últimas que não nos damos conta e, que ao percebermos, creditamos ao desconhecido, a um ser maior, ou à conspiração.
"A vida é a arte do encontro."

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